quinta-feira, 30 de março de 2017



Sobre Minha Experiência nos cursos JOVENS LEITORES e FORMAÇÃO DE LEITORES, realizados pela parceria SME-RJ-FNLIJ

(texto encomendado pela FNLIJ para livro sobre o curso)



De : Luiz Antonio Aguiar
Para: FNLIJ


1.     A experiência deste trabalho nos Cursos da FNLIJ mudou sua forma de ver a escola pública?

  :                    LAA:
Indiretamente, sim. Me deu uma visão mais clara do professor e do bibliotecário dessa escola, que luta tanto não só para se qualificar como para motivar a meninada e a garotada para a Literatura, apesar da falta de recursos e de incentivos, de contrapartidas, como aumento de remuneração, ascensão em planos de carreira etc. Muitos deles são idealistas, apaixonados pelo ofício e solidários com suas crianças e jovens, com plena consciência de que na escola está a chance de mudarem de vida.
Ao mesmo tempo, ao direcionar as aulas de Literatura para o professor, para apurar seu gosto pela Literatura, o curso mostra um bom caminho para democratizar a Literatura no país, que seria lhe dar um lugar especial dentro da escola e da educação, com autonomia em relação aos objetivos curriculares e pedagógicos, visando tão somente (e é muito!) a ampliação de horizontes existenciais e intelectuais dos leitores que puder cativar. Nesse sentido, a educação pública e a privada têm o mesmo trajeto a cumprir, as mesmas dificuldades e preconceitos a vencer, a mesma ruptura a realizar.

2.       Conte um fato marcante, específico, particular que tenha sido significativo ao ministrar estas aulas.


LAA : 
Foram muitos, mas em especial a avaliação que tive na minha primeira rodada de aulas. Foi muito ruim, tipo nota 7. Daí, não me conformei, consultei quem já estava rodado no curso, pedi opiniões e conselhos, repensei o que eu queria fazer, minha proposta para dar aula de Literatura, e voltei ao batente. Minhas avaliações melhoraram significativamente, deixando-me orgulhoso do trabalho que eu poderia e posso realizar. Vi então que ensinar  só existe se o outro aprende. Que ensinar é um aprendizado e que o feed-back, as avaliações e reformulações são indispensáveis nesse ofício. Foi uma lição de vida, que me deram.

3.       Esta experiência nos Cursos da FNLIJ se multiplicou em outros cursos? De que forma?

LAA: 
Sim. Como sou escritor e correr o país falando a diferentes plateias é parte do meu trabalho, os cursos que dei foram reproduzidos em outros lugares, sempre (aproveitando a lição recebida, mencionada acima) tentando me adaptar ao meio, ao público, buscando a interatividade, a comunicação. Continuo ministrando esses cursos, dando aula de Literatura – e aliás, hoje em dia, incorporei mais esse atributo a minha identidade; com muito orgulho, sou um professor de Literatura.



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